Curb Your Enthusiasm!

"Curb Your Enthusiasm, boy!". Frase proferida por Susan a George, na série Seinfeld. Posteriormente, seria usada por Larry David para definir a sua atitude perante a vida...

sexta-feira, agosto 26, 2005

Electro Casino


Enfim, goste-se ou não, a verdade é que os The Gift são hoje das melhores bandas nacionais a actuarem ao vivo (a par dos Da Weasel e Blind Zero). A banda actuou no Du Art Garden, Casino Estoril, perante o povo que invadiu o espaço e alguma "burguesia" com direito a mesa reservada. O espectáculo esteve centrado no lado mais festivo do último albúm, "AM-FM" do ano passado.
Os novos singles parecem ter grande efeito sobre o público, mas é material mais antigo que acerta em cheio. "Ok! Do you want something simple?" continua a ser a canção perfeita dos Gift e com grande carga mistica, pois foi com ela que conseguiram conquistar o mercado. "So Free (3 acts)" taz o memento de maior euforia da noite, pelo menos em palco, pois parece que os músicos tiram maior partido daquilo que tocam do que o próprio público. É a altura em que Nuno Gonçalves se perde no meio da sua maquinaria, delirando com os seus brinquedos electrónicos, levando consigo toda a banda ao extanse total.
Desafio curioso num concertos dos Gift é identificar as referências músicais da banda enquanto desfilam as suas canções em palco. Por vezes sofrem metamorfoses, conforme o que os elementos da banda ouvem no momento. Ocorreram citações directas de "Change Your Heart" via Beck, sample de "Meet me in the Club" do 50 Cent, "This is not America" de David Bowie, improvisação de teclados à Air... houve até o momento Kraftwerk, quando a banda abandonou o palco e a maquinaria continou com a actuação.

segunda-feira, agosto 22, 2005

o que fazer com "isto"?


Do texto parece rapidamente se retira que, independentemente de ser ter um nanopénis ou um gigapénis (que raio de designações), o importante é aceitar o que se tem e saber usá-lo, nem que seja só para divertimento próprio. Já agora, ocasionalmente, tentar dar prazer à companheira também algum prazer, mas tudo com muita calma e treino ...
Cair no erro de resolução imediata de qualquer problema na vida não é muito inteligente da nossa parte. Em última análise, mais vale um pénis pequenino e eficiente que um que apesar de maior é flácido…

Paixoneta Rosa


Bom, a Ana Marlk nunca foi das redactoras que mais me entusiasmou do Blitz (são poucos, nesta edição), mas admito que fiquei espantado com o último parágrafo do texto sobre a actuação de Craig David. Devo dizer que é raro uma pessoa ter assim uma visão tão paradigmática das paixonetas em relação a estes “artistas”, que no fundo são produtos formatados pela indústria e nos são impostos a todo o custo.

Live Aid?


O Sr. João Bonifácio (do Público) sempre foi dos escribas melómanos que mais me entusiasmou, principalmente, quando lhe dá na cabeça dizer mal de algo. É incrível alguém dizer assim as coisas à descarada. Pergunto-me se ele não será um gajo impossível de aturar e que se gosta de ouvir a si mesmo durante horas.
Anyway… fiquei contente com este texto, pois o Sir Bob Gelford sempre foi um dos meus ódios de estimação. Quanto mais não seja, pela forma como destruiu o filme “The Wall” dos Pink Floyd. Cada momento em que ele aparece no ecrã é um suplício, para já não dizer quando se mete a tentar cantar.
Mas, ao que parece as criancinhas de África estão-lhe muito gratas, quase tanto como ele está grato por elas existirem… parece-me um contra-senso o sir falar para os media sobre a fome em África, na sua mansão e com um copo de vinho branco requintado a seu lado.
Assegurada fica assim a exposição mediática e o fluxo monetário. Ganham as criancinhas em África, mas mais ganha ele, de certeza. Além do mais, a fome é apenas o efeito mais imediato (e mediático) dos problemas mais profundos daquele continente, parecendo-me por vezes, que estas iniciáticas servem apenas para calar os desgraçadinhos e fazer os ocidentais sentirem-se muito bem, só porque enviam uns tostões para lá longe, algures em África…

sexta-feira, agosto 12, 2005

Planeta Sudoeste


Os novos nómadas

É para mim uma incógnita, o que realmente leva milhares de pessoas a ocorrer em tão grande número ao Festival Sudoeste. Recentemente, na revista Fest Forward, Álvaro Covões afirmava que a “ primeira é o facto de ser «O» festival Sudoeste. A segunda é a praia (…)”. A música parece então, remetida para um motivo terciário para se ir ao festival.
No fundo parece que estas pessoas querem apenas viver por uns dias a experiência de estar longe de tudo e todos os que importunam durante o ano inteiro, gozando à sua medida o festival, com ou sem música. Foram já apelidados de “gente pirosa que vai ao festival para estar longe dos papás, fazer as asneiras que lhes apetece. Embebedam-se, drogam-se, furam a multidão durante os concertos e quando chegam lá à frente perguntam com ar de broncos: mas que merda é esta que está a tocar? Onde é que estão os Xutos?”

Não compreendo, mas é verdade, existe de certa maneira o mito que nos festivais existe um grande laxismo, relativamente a contactos sexuais. Mesmo o tronga do apresentador do MTV Portugal, dedicou uma reportagem no festival a saber como o pessoal engatava. Ninguém se descoseu diz ele, ninguém faz ideia de como realmente se faz, digo eu.
Não duvido que muito boa gente tenha dado a sua (primeira) foda no festival, mas parece-me que a percentagem é bastante reduzida. Parece-me que seja mais provável acontecer quando se vai com amigos e a coisa acontece, entre namorados será quase inevitável. Mas fazê-lo com uma estranha que nos aborda no chuveiro, ou vice-versa, parece-me mais complicado, principalmente com as implicações que isso pode trazer. No entanto, acho que fornicar é positivo…

Mas o Sudoeste tem os seus méritos. Particularmente este ano afirmou-se como festival Ibérico em concorrência directa com Festival Internacional de Benicassim (FIB). Muitos são os espanhóis de perto da fronteira que preferem vir até à costa vicentina, em ver de atravessar toda a Espanha para a costa leste da península. Além disso, existe a questão do preço. O Sudoeste custa 65€, enquanto que o FIB custa 165€. É verdade que o FIB tem o triplo das bandas/confusão e, muitas vezes, as mais apetecidas ficam-se por lá, ignorando o nosso país. Mas a verdade é que este ano os nomes mais fortes do dois festivais eram comuns, sendo, portanto, mais económico para alguns espanhóis viajarem até à Zambujeira.
Daí que se tenha ouvido falar imenso castelhano, mas não só, também britânicos, alemães, holandeses e franceses apareceram no festival. Parece-me, no entanto, que nestes casos serão situações mais pontuais. Estando a passar férias no Algarve, é fácil dar um pulo à Zambujeira.



Palco de todas as emoções

Longe do gigantesco e intimidatório palco TMN, por onde passaram os cabeças de cartaz, logo à entrada do recinto ficava um espaço bem mais acolhedor e onde viria realmente a acontecer os momentos mais entusiasmantes do festival, desde o humor do Gato Fedorento ao comício politico de The (International) Noise Conspiracy.
Logo na primeira noite, precisamente com um inicio fedorento, o palco Planeta Sudoeste assumiu o protagonismo do festival. Os quatro gatos assanhados são das melhores coisas que apareceram no humor nacional, quanto a mim, apenas lhes batem o pé os da Palmilha Dentada. Mereciam, sem dúvida um espaço à sua dimensão e de todos os que queriam assistir aos seus sketches. Notou-se a falta de dos ecrãs gigantes para os que estavam mais atrás seguirem com maior atenção, as pausas, as caretas dos actores. Porque realmente o segredo dos fedorentos acaba por estar em certos momentos de subtil ironia e mordaz critica ao chauvinismo nacional.
Nessa noite, a única actuação acabou por ser dos Ladytron, já que os Fisherspooner cancelaram a sua actuação por o seu equipamento estar com jet lag. Os Ladytron apresentam-se com um visual sinistro e praticam uma electrónica esquizoide, que não dá grande jeito dançar. Os seus sintetizadores estão carinhosamente baptizados com nomes como Cleópatra ou Gloria. A sua música vive da repetição exaustiva de duas ou três frases sem grande nexo.


Na segunda noite já tivemos direito a actuações à séria. Tivemos pela primeira vez no Sudoeste esse ovni da nova folk americana que é Devendra Banhart. Os hippies deveriam ter deixado a face da terra depois das mortes de Hendrix, Joplin e Morrisson, mas Devendra e a sua trupe ameaça trazê-los de volta para o séc. XXI.
Há que dar o mérito de serem versáteis, multi-instrumentistas e até dotados. Tendo como base a folk adicionam-lhe tudo o que seja música do mundo e há que reconhecer que a mistura não é nada indigesta.
O concerto de Devendra Banhart teve duas curiosidades. Primeira a aparição em palco de Pedro Gomes dos CAVEIRA, designado pelas gentes do “Y” como o anti-guitar-hero português. Pedro esteve essencialmente a improvisar com a sua guitarra eléctrica por cima da melodia do momento. Engraçado ter sido confundido por membro do público com o guitarrista dos Radiohead (com aquele cabelo, espera o quê?). Segundo, a oportunidade dada alguém que quisesse vir tocar a sua musiquinha, ali no momento. Sam foi o que mais iniciativa teve e espantou-nos com o seu à vontade em palco, bem como a bela canção acústica à guitarra.
O resto da noite foi ocupado pelo showcase da DFA Records. James Murphy revelou-se incasável, um autêntico homem dos sete ofícios. Desde ajudar a montar os equipamentos, a fazer o som de palco, actuar com os LCD, enquanto DJ ou mesmo quando desfrutava da música das outros artistas da sua editora. A mistura de sons electrónicos com o pós-punk pôs toda a audiência a dançar. A mesma que assistiu pasmada à actuação de Hot Chip, não sabendo se haveria de rir do que se passava em palco, ou deixar de lado o ridículo e continuar a dançar.


A terceira noite era aquela que apresentava maior diversidade de estilos e interesses variados. Por lá passaram os projectos a solo de Sarah Bettens (K´s Choise) e Louise Rhodes (Lamb). A actuação primeira foi mais consistente e empolgante. A tonalidade continua a ser rock com a devida dose de revolta, mas não muita, para não perturbar os ouvidos sensíveis das adolescentes, para isso já têm a Alanis Morrisset, certo? Sarah parece ter uma base de fãs consistente e mostrou-se, talvez por isso, descontraída e sorridente para o seu público. Facto curioso foi o seu teclista parecer estar a gozar tanto do concerto como qualquer membro da assistência, já irritava tanta descontracção. Parece o típico caso de músico que tem pouco que fazer na banda e por isso pode-se dar ao luxo de andar para lá aos pulinhos.
Seguidamente tivemos os sons quentes com base na soul dos anos 70 de Josh Rouse. Pela primeira vez apareceu por cá com uma banda digna dessa mesma designação. A actuação foi perfeitamente adequada ao festival, já que exigia-se uma formação em palco que desse maior vivacidade às canções vindas do fundo do coração deste senhor. Actuacção pecou por ser curta, mas ninguém resistiu aos sedutores “Come Back” e “Love Vibration”. É verdade que o novo disco “Nashville” deixou a soul de lado, em favor de um som mais country, típico da região, mas onde se encontram belas melodias que até resultam bem ao vivo, como “The Nightime” e “Winter in the Hamptons”. Para muitos faltou a mais triste e bela melodia do senhor “Sad Eyes Já que Josh mudou-se para o país ao lado, esperamos em breve a sua visita, bem como da sua banda, com alinhamento prolongado e do agrado de todos.
A grande estreia e surpresa da noite foi Mylo, sucedâneo possível devido à ausência de Daft Punk. Partindo exactamente da mesma base, praticam uma electrónica entusiasmante, com sintetisadores melosos, vozes saturadas de efeitos e guitarras funk. Infelizmente, no inicio do concerto sofreram de uma série de problemas técnicos com a guitarra eléctrica, mas a Peaches lá os desenrascou com uma das suas. Vindos de Ibiza e a caminho do FIB, não foi por esse motivo que se mostraram menos dedicados em dar espectáculo. Momento alto da noite foi com o single “Drop the Pressure”, com toda a tenda a vibrar ao som da vocalização vocoder e batida bem quadrática.
A fechar as actuações da noite veio o furacão Peaches. Esta senhora parece querer desesperadamente que a aceitem, não da habitual forma lamechas, mas à força. É uma electrónica caseira, suja, com atitude punk e agressiva. É uma actuação explicita, assistir-lhe é uma experiência perturbante. Há que lhe dar o mérito de sentido de espectáculo e entretenimento gráfico. Irrequieta e dinâmica, lá se foi despindo até ficar em roupa interior, mas na noite antes já tinhas visto um strip bem mais gratuito na actuação dos Da Weasel.


O último dia já não foi tão diversificado como o anterior, mas talvez o que terá proporcionado as experiências mais intensas com The (International) Noise Conspiracy (TINC) e The Kills. Antes passaram pelo mesmo palco Viciou 5, d3o e Wraygunn. Estes últimos apresentam-se em grande forma e estão claramente em voga. O seu último disco foi lançado em França e Itália, tendo já vendido num mês cerca de 5000 cópias, pelo que devem partir em breve para uma digressão europeia.
Não deixa de ser estranho que de um país como a Suécia apareça uma banda como os TINC, fica no ar a questão se será consequência inevitável de terem de ouvir ABBA.É uma banda de claro revivalismo punk, mas bem mais rico que a base. Foi, aliás, admitido pelo próprio vocalista que as bandas que mais gostavam eram os Clash e os Bad Religion. Guitarras desgarradas, hammond a harmonizar a coisa e vocalizações convictas do que se canta (bem ou mal).
Estar numa actuacção dos TINC é mais do que assistir a uma simples concerto de rock, é um autêntico comício político. Não só pela mensagem imprimida nas suas músicas, mas porque realmente pregam contra o capitalismo e o monopólio das grandes editoras. Incentivam ao download de mp3 e dizem que se realmente gostamos deles devemos assistir aos seus concertos. Que venham então cá mais vezes para comícios tão animados como este. É uma energia extremista que transborda o palco e facilmente contagia quem assiste aos seus concertos. De bandas não formatadas como estas é que precisamos no mundo. Perguntamo-nos porque levaram tanto tempo a trazer por cá a (r)evolução… será a culpa do maldito capitalismo?
Depois de algo tão intenso como a actuação de TINC, dificilmente os The Kills conseguiriam ultrapassar a banda escandinava. Assim aconteceu, mas tiveram uma actuação digna de se tirar o chapéu. Nada fácil para dois músicos encherem o palco daquela maneira. Interessante diálogo de corpos em palco, algo entre o amor e ódio entre Alison Mosshart e Jamie Hince, passagens como “I hate the way you love” “if I´m so evil, then why are you so satisfied?” pode servir como a chave disso mesmo. A linha musical não anda muito longe de PJ Harvey quando acorda virada para o rock, mas mais minimalista, inevitavelmente.


Palco Secundário?

Ao que parece as apostas nas novas bandas britânicas acabaram por sair frustradas. Tirando talvez Kasabian, nem The Thrills, Athlete ou mesmo Doves, nenhuma destas bandas conseguiu convencer um único espectador. Pena, pois realmente os Kasabian mereciam um público mais desperto, inerte muito por culpa da desinteressante actuação dos Oásis. O mesmo efeito colateral já tinham sofrido os Primal Scream no ano de 2003 (banda à qual vão buscar grande inspiração), pois toda a multidão abandonou o recinto após a folia de Jamiroquai. Os Kasabian são então das novas bandas mais entusiasmante vindas do UK este ano, a par de Bloc Party. Usam samples e sintetizadores, mas juntam-lhes o bom velho rock para um resultado bastante agradável, para além do mais têm uma boa presença em palco, conseguindo animar as poucas almas vivas àquelas horas da noite. “Club Foot” não perde um Newton de força ao vivo e com “Processed Beats” apetece no mínimo bater o pezinho.
Parece incrível que apenas meia-dúzia de pessoas tenham ligado a Athlete. Vindos da digressão nipónica e australiana, dizem-se fãs de bandas como os Blur e Radiohead. Não se cansam de anunciar ao mundo que foram nº1 no UK e tiveram uma nomeação para os Mercury Prize. Nada disso lhes valeu. Curioso que tenha acontecido o mesmo com o Coldplay, no ano de 2000, em Paredes de Coura. Vejamos se têm destinos idênticos. No geral, não se esforçaram muito por tentar conquistar a audiência, que apenas lhes deu uns minutos de atenção quando tocaram os singles “Changes”, “Half Life” ou “Wires”.
Bem melhor se esperava de Doves , já que são uma banda um pouco à margem das oscilações dos sucessos comercias, além de que o último disco, “Some Cities” é uma autêntica pérola negra da nova brit pop. Apontados como na mesma linha de Ocean Colour Scene ou Verve, as evidências apontam, no entanto, para Elbow. Novamente, esta banda teve uma passagem despercebida precisamente, no festival Sudoeste, em 2001. ainda por cima cometeram clássico e triste erro de chamarem Espanha ao nosso país, passando o resto do concerto a dizerem que estavam bastante embaraçados e tentando desdramatizar agradecendo à Dinamarca. Mesmo assim, conseguiram bons momentos com “Some Cities”, “Black and White Town” e “The Goes the Fear”. Aguardamos uma visita mais feliz, a Portugal, tanto dos Doves, como do Elbow.
Do resto do festival foi trivial. Oasis lá limparam a sua imagem e os Da Weasel prometem em breve destronar os Xutos & Pontapés das bandas mais populares do nosso país. Ben Harper e Humanos provocaram uma das maiores enchentes de sempre do festival. Fatboy Slim prolongou a noite até bem perto das 06 da manhã, fazendo toda a malta dançar. Finalmente, Korn, lá levataram pó que fica pairar até à próxima edição…

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quarta-feira, agosto 10, 2005

Acordes de quatro noites de verão




O Festival do Sudoeste cresceu. Não foi apenas o mais concorrido de sempre, foi o mais maduro. Foi música e diversão, e foi também muito mais do que isso. Foi organizado, eficaz, muito variado, e assumiu-se com as dimensões de um verdadeiro festival ibérico. E com tanta escolha, cada um teve o festival que quis.
Entre 4 e 7 de Agosto, as atenções dividiram-se por três palcos distintos, com exigências diversas. Esta coexistência foi o elemento mais positivo do modelo renovado da edição deste ano. Três espaços diferentes a funcionarem em simultâneo, em que a ideia de complementaridade se sobrepõe claramente à de estratificação.

O palco principal não surpreendeu pela abrangência mainstream, e arrastou para si a multidão. Mas, pela primeira vez em 9 anos de sudoeste, os outros palcos foram de facto uma alternativa. Mais do que isso, foram em muitos momentos a atracção mais aliciante.
O palco Positive Vibes foi festa constante. Todos os dias, sem excepção, esteve repleto de gente que dançou ao ritmo do reggae até à exaustão. Ao mesmo tempo, e bem ali ao lado, o palco Planeta Sudoeste alimentava os gostos mais exigentes. Nunca esteve menos do que a rebentar pelas costuras, cheio de pessoas deliciadas pela possibilidade de uma alternativa real.

Ladytron, Devendra Banhart, Josh Rouse, Mylo ou The (international) Noise Conspiracy, foram alguns dos nomes que preencheram o “planeta” da variedade. Pode-se mesmo dizer que houve pouco espaço para tanta oferta, e ainda menos espaço para tanta procura.
Josh Rouse foi melodioso e centrado, Devendra foi para lá de original, e os The (international) Noise Conspiracy agitaram tudo o que seria possível agitar. São alguns exemplos de um espaço que superou todas as convenções e que chegou para além das expectativas, de uma forma mais do que positiva.
Houve mesmo tempo para o humor…e que tempo bem passado. “Isto não é rock’n’roll, é galhofa à antiga”. Assim se assumiram os Gato Fedorento. Pouco importou que não fosse rock’n’roll, ou qualquer outro género musical. Na maior enchente da noite de abertura, a multidão gritou as frases dos sketches como se de refrões de música se tratassem. Uma aposta diferente, que resultou o melhor possível.
Mas como é óbvio, o palco principal não deixa de ser o palco principal. É aquele que reúne os maiores aglomerados, aquele que chama mais pessoas para o festival. E, independentemente dos gostos, os nomes sonantes não faltaram.

Sean Paul não convenceu, ainda que tenha divertido um público que queria mesmo divertir-se na primeira noite do festival. Na sexta-feira, os Oasis cumpriram o reportório, para êxtase dos seus fiéis seguidores. Porém, foram demasiado frios e distantes, resultando como soporífero para os restantes presentes. Quando os kasabian encheram o palco de ritmo e energia, restava pouco ânimo para os acompanhar.
A surpresa foram os Da Weasel. Foram a prova viva do potencial de sucesso da música portuguesa em festivais. Estiveram longe de receber o maior cachet do cartaz, ou mesmo da noite de sexta-feira. Mas a multidão foi toda deles. Um aglomerado apenas comparável ao conseguido por Ben Harper. Impressionante a adesão das pessoas ao espectáculo e impressionante a forma como agarraram a oportunidade com unhas e dentes.
A noite de Sábado foi a mais longa. Foi também a mais cheia. Milhares de pessoas, espalhadas por todos os cantos. Não houve um espaço de sudoeste que não estivesse preenchido. No palco Planeta Sudoeste o desfile de requinte foi ininterrupto, e no palco principal faltou tempo para tantas emoções.
Ben Harper encantou os milhares que se deslocaram para o ver, e teve com certeza muita dificuldade em ver até onde ia aquela multidão. Mas a noite não foi só dele. Os Humanos encheram o recinto de arrepios, e tiveram uma despedia em grande. Pela noite dentro ecoaram os sons de dança. Primeiro com Underworld e depois com Fatboy Slim, que contou com a companhia de quem resistiu até às 4h da manhã para vibrar com a sua batida.


Domingo foi, sem dúvida, a noite da ressaca. Menos pessoas, menos energia e a procura sintomática dos outros palcos. O cartaz do palco principal foi o menos aliciante de todas as noites de festival. Apenas os Korn conseguiram reunir uma multidão significativa, abanando um pouco a calma que tomou conta da noite de encerramento do Sudoeste deste ano.

Para lá da música
A organização diz que estiveram no sudoeste cerca de 30 mil pessoas por dia. Estes números, a confirmarem-se, são o espelho da maior enchente de sempre. Mais do que um festival, o Sudoeste deste ano foi uma romaria.
Mesmo antes do festival começar, parecia não haver espaço para nem mais uma tenda. O parque de campismo improvisado no meio do pinhal atingiu o limite máximo. No entanto, não parava de chegar gente. E o espaço que não havia, inventou-se. Apareceram tendas montadas nos sítios mais incríveis e nas condições mais inesperadas.
O mar de tendas foi o primeiro sintoma daquilo que, por essa altura, já não era difícil de adivinhar. A peregrinação em massa para a Zambujeira do Mar foi uma realidade desde a véspera. Os restaurantes não tinham uma mesa vaga, na praia não havia lugar para estender mais toalhas e no recinto não houve actividade que não fosse um sucesso de afluência.
Os stands dos patrocinadores tinham todo o tipo de ofertas e organizaram jogos variados. Desde os carrinhos de choque aos penteados radicais, passando pelo voleibol de praia, todos podiam participar sem custos extra, se estivessem com disposição para esperar um pouco nas muitas filas que se iam formando.
Ainda havia a possibilidade de ganhar qualquer coisa. Para ganhar dois telemóveis, por exemplo, bastava encontra o par no meio daqueles milhares de pessoas. Viu-se por lá a Santa Isabel a gritar pelo seu D.Dinis, um Popeye desesperado com o nome da Olívia pintado nas costas, e um Tintim que chamava o Milu por um microfone.
E para ajudar na recolha do lixo, nada como promover os copos vazios como moeda de troca. 20 copos por uma cerveja, 40 por uma volta no touro mecânico, e 60 por uma consulta tarot ou por uma boa massagem. Foi ver toda a gente a apanhar lixo do chão de livre e espontânea vontade, e um recinto mais limpo do que nunca.
Outra das possibilidades seria entregar 20 copos e ganhar o direito de plantar um pinheiro. Apesar de 20 copos serem também o “preço” de uma cerveja, bebida muito apreciada pelos festivaleiros, cerca de 500 pessoas optaram por se aliar à natureza e deixar a cervejinha para mais tarde. E o sinal de que o amor no festival não existe apenas pelo ambiente, foram os 40 mil preservativos distribuídos pela Harmony.
“O Sudoeste? É para baixo e para a direita.”. É simples a forma como os Gato Fedorento explicam o caminho. E ainda que fosse complicado, tendo em conta tudo o que por lá se passou este ano, de certeza que toda a gente arranjaria forma de lá chegar.

Catarina Homem Marques
Fotos por Rui Gusmão

quarta-feira, agosto 03, 2005

De volta às Paredes

Festival Paredes de Coura
Morada:Ritmos - Produção de Eventos e EspectáculosCentro Coordenador de Transportes,
64940 Paredes de Coura
Telefone: 251 781 096
Fax: 251 781 066
E-mail: ritmos@ritmos.biz
CM Paredes de Coura



Braga
Parque Municipal de Campismo
Morada
Parque da Ponte
4700 Braga
Tel. 253 273 355




Pousada de Juventude de Braga
Rua de Santa Margarida, 64710 Braga
Tel: 253 61 61 63
Fax: 253 61 61 63

CENTRAL DE RESERVAS
Tel: 21 313 88 20
Fax: 21 352 86 21

Localização
Conhecida também como cidade dos arcebispos,Braga propociona a quem a visita uma diversidade e qualidade monumental difícil de encontrar. Perto do seu centro encontra-se a Pousada de Juventude.


Informações sobre a Região
Pensa-se que tenham sido os Galo-Celtas os seus fundadores, também conhecidos por Brácaros. Brácara foi conquistada pelo romanos no ano de 250 a.c. A cidade é conhecida como a Roma portuguesa devido à quantidade de monumentos religiosos, nomeadamente os santuários do Bom Jesus, Falperra e Sameiro.A Catedral data do século XII e os túmulos de D.Henrique e D.Teresa são dignos de ser visitados.


Horários
Funcionamento

08h00 às 12h0018h00 às 24h00
Recepção

08h00 às 12h0018h00 às 24h00
Check In 18h00 às 24h00
Check Out08h00 às 10h00
RefeiçõesPequeno-Almoço das 08h30 às 10h00


Preços e Capacidade
Época Alta ( 16/06 a 15/09 )

Quarto múltiplo por pessoa: 1.700$ / € 8,48
Quarto duplo c/WC: 4.100$ / € 20,45
Época Baixa ( 01/01 a 15/06 e de 16/09 a 31/12 )

Quarto múltiplo por pessoa: 1.500$ / € 7,48
Quarto duplo c/WC: 3.800$ / € 18,95

Refeições
60 camas em quartos múltiplos e 1 quarto duplo. A tabela de preços pode ser alterada sem aviso prévio.


Transportes
Autocarro da Rodoviária Nacional e Empresas de LisboaSai do Campo das Cebolas (Lisboa) com destino a BragaComboio da CP com partida de Lisboa (Stª Apolónia) com destino a Braga

Distâncias
367km de Lisboa

53km do Porto
91km da Fronteira de Valença

Locais de Interesse
Sé de BragaCapela dos ReisCapela da GlóriaIgreja de Santa Cruz Palacete do Raio Palácio dos Biscaínhos Casa dos CrivosJardim de Santa Bárbara Bom Jesus de Braga Fonte do Ídolo Termas Públicas Critânia de Briteiros


Serviços
Cozinha de alberguista

Cacifos
Bilhar
Sala de convívio com TV e Vídeo





Porto
Pousada de Juventude do Porto
Rua Paulo da Gama, 5514150 Porto
Tel: 22 617 72 57
Fax: 22 617 72 47

CENTRAL DE RESERVAS:
Tel: 21 313 88 20
Fax: 21 352 86 21

Localização
A Pousada localiza-se na segunda cidade do país, vulgarmente designada de Capital do Norte.
Informações sobre a Região
Ignora-se a sua origem, mas sabe-se que em 569 pertencia aos Suevos e se chamava "Castrum Novum". Passou depois para o domínio dos Godos e mais tarde para os Árabes, sendo conquistada em 716 por Afonso I das Astúrias, passando a pertencer alternadamente ora a Árabes ora a Cristãos. Debruçada em cascata sobre o Rio Douro, a cidade do Porto tem como atracções irresistíveis os seus monumentos e as ruas típicas, autênticas páginas da nossa história.


Horários
Funcionamento24h00 por dia
Recepção08h00 às 24h00

Check In 18h00 às 24h00
Check Out08h00 às 10h00
Refeições

Pequeno-Almoço das 08h30 às 10h00
Almoço das 13h00 às 14h00
Jantar das 19h30 às 20h30

Preços e Capacidade
Época Alta ( 16/06 a 15/09 )

Quarto múltiplo por pessoa: 2.500$ / € 12,47
Quarto duplo c/WC: 6.000$ / € 29,93
Época Baixa ( 01/01 a 15/06 e de 16/09 a 31/12 )

Quarto múltiplo por pessoa: 2.000$ / € 9,98
Quarto duplo c/WC: 5.000$ / € 24,94

Refeições
Almoço/Jantar: 950$ / € 4,74
Lanche: 250$ / € 1,25
Refeição volante: 750$ / € 3,74
Ceia: 200$ / € 1,00
116 camas em quartos múltiplos e 24 quartos duplos.

A tabela de preços pode ser alterada sem aviso prévio.

Transportes
Autocarros de empresas de LisboaSaiem do Arco Cego (Lisboa) com destino ao Porto

Comboio da CPPartida de Lisboa (Stª Apolónia) com destino ao PortoAuto-Estrada Lisboa-Porto
Distâncias
312km de Lisboa116km de Coimbra573km de Faro


Locais de Interesse
Igreja de S.FranciscoTorre dos ClérigosPalácio de CristalMuseu EtnográficoMuseu da Quinta da MaceirinhaMuseu Nacional de Arte Moderna (Quinta Serralves)Praia do Castelo do QueijoPraia InternacionalPraia do MolhePraia Leça da Palmeira (Matosinhos)Ponte D.Luís ISé do PortoPalácio da BolsaFundação de Serralves


Serviços
Sala de Reuniões

Sala de convívio com TV
Esplanada
Sala de convívio com jogos
Instalações para deficientes
Cozinha de alberguista
Cacifos
Auditório ao ar livre

segunda-feira, agosto 01, 2005

Rumo a Sudoeste



"A Costa Vicentina recebe mais uma vez o maior festival de música do verão português. Entre 4 e 7 de Agosto, o Festival Sudoeste TMN chega à Zambujeira do Mar. São 4 dias de música, praia, convívio e diversão, que prometem agitar a calma paisagem alentejana.


A 9ª edição do já emblemático festival recebe mais de 60 artistas, contando com nomes sonantes do panorama musical. O cartaz é feito à medida de todos os gostos e os preços variam entre os 65€ (4 dias) e os 35€ (bilhete diário).


A Herdade da Casa Branca abre hoje as portas, a partir das 17 horas, para dar as boas vindas aos campistas. Sean Paul, o cantor Jamaicano, é o cabeça de cartaz que vai pôr o público a dançar ao ritmo do r’n’b. Para animar a noite, conta com a ajuda de nomes como Patrice, Orquestra Imperial ou Expensive Soul & Jaguar Band.


Neste primeiro dia, os festivaleiros podem contar ainda com uma estreia absoluta. Pela 1ª vez o teatro chega a sudoeste. Os Gato Fedorento, 4 rapazes que já são um fenómeno do humor nacional, trazem a comédia até ao Alentejo.


Num verão em que os festivais a norte, como o Vilar de Mouros, têm revelado um menor índice de adesão, será interessante ver até que ponto as apostas do Sudoeste conseguem manter os números de anos anteriores. " - Catarina Homem Marques, Diário do Sul

Este ano o cartaz é muito vasto e será necessário fazer sacríficios. De entre as 61 bandas, não se pode conhecer ou gostar de tudo. Além das actividades paralelas que nos distraem da música. Por tudo isso será necessário fazer escolhas e não olhar para o palco ao lado...

Aqui fica, como not to self a minha selecção pessoal...

Som da Frente

4 Agosto
Gato Fedorento (Palco Planeta Sudoeste, 22h30)
Fisherspooner (Palco Planeta Sudoeste, 00h00)
Ladytron (Palco Planeta Sudoeste, 01h45)


5 Agosto
Devendra Banhart (Palco Planeta Sudoeste, 20h30)
LCD Soundsystem (Palco Planeta Sudoeste, 23h10)
Kasabian (Palco TMN, 01h10)


6 Agosto
Palco Planeta Sudoeste
Josh Rouse Band (22h00)
Louise Rhodes (23h30)
Mylo (00h50)
Peaches (02h10)

Palco TMN
Humanos (22h05)
Ben Harper (23h40)
Underworld (02h00)
Fatboy Slim (03h40)

7 Agosto
Palco Planeta Sudoeste
The (International) Noise Conspiracy (23h30)
The Kills (22h00)

Palco TMN
Doves (21h05)
Dinosaur Jr. (22h15)

9 Songs


Realização: Michael Winterbottom

Intérpretes: Kieran O`Brien, Margot Stilley

Grã-Bretanha, 2004

Uma farsa!
Esta é a melhor expressão para qualificar o filme de Michael Winterbottom que agora nos chega às salas. O realismo britânico no seu pior, confunde-se aqui com mero voyeurismo. Duas personagens perdidas na vida, encontram-se num concerto no Brixton Academy. Basicamente a partir desse momento fodem, drogam-se e vão a concertos. Para o bem e para o mal, é (apenas) isto que duas pessoas fazem hoje em dia, segundo a visão do realizador. Estão juntas para passar tempo. Que boémio e hedonista!

Só mesmo pessoas muito iluminadas é que podem ver uma efectiva conexão entre o sexo e a música. Os concertos, tal como as canções são escolhidos sem qualquer critério. Por vezes parece que estão ali só porque seria demasiado escandaloso ter um filme só com personagens a foderem e a drogarem-se. Sabem que mais, as cenas de sexo não me divertem!

Não existe um único momento que salve este filme do ridículo. Expliquem-me o porquê do suposto momento chave, o de quando eles se conhecem, não aparecer no filme. Seria neste momento em que poderia residir alguma explicação para um relacionamento em que não existe nenhuma conexão entre as personagens, nada, tornando-a rápidamente insuportável. Nem mesmo o sexo, pois aparentemente a personagem feminina tem “necessidades” especiais e o rapaz não é capaz de a satisfazer. Para quê a cena de humilhação do macho com o vibrador?

Nada parece acontecer por um motivo, nem mesmo quando as personagens discutem devido aos medicamentos de Sally. Matt põe-lhe na cara que os comprimidos lhe estão a alterar o comportamento. Sim, porque aquilo que as personagens snifam intensivamente não lhe provoca qualquer alteração... Tomar comprimidos é errado, snifar coca é cool. Pergunto-me qual o sentido deste momento (pouco) cinematográfico.

O cúmulo do ridículo é mesmo o paralelo feito com a Antártida. Justifica-se se pensarmos que a relação entre eles é tão insípida e árida como esse continente ainda misterioso. Matt quer no fundo transmitir a sua se sente ali tão exposto àquele ambiente agressivo como quando está na intimidade com uma mulher, chega mesmo a falar de claustrofobia. Nada disto tem a ver com intimidade, muito menos com amor.

Fica provado que Michael Winterbottom não tem arte nem engenho para filmar relações entre pessoas, vejam “Code 46” e confirmem, ou não... Se for pela da música, aconselho antes o “24 Hour Party People”, sempre é mais informativo. Se for por causa de relações, “Intimidade” de Patrice Chéreau será bem mais interessante. Se for por causa do sexo, bom acho que todos sabem onde procurar….

E sabem que mais, as cenas de sexo deste filme não me divertem!