Curb Your Enthusiasm!

"Curb Your Enthusiasm, boy!". Frase proferida por Susan a George, na série Seinfeld. Posteriormente, seria usada por Larry David para definir a sua atitude perante a vida...

segunda-feira, agosto 01, 2005

9 Songs


Realização: Michael Winterbottom

Intérpretes: Kieran O`Brien, Margot Stilley

Grã-Bretanha, 2004

Uma farsa!
Esta é a melhor expressão para qualificar o filme de Michael Winterbottom que agora nos chega às salas. O realismo britânico no seu pior, confunde-se aqui com mero voyeurismo. Duas personagens perdidas na vida, encontram-se num concerto no Brixton Academy. Basicamente a partir desse momento fodem, drogam-se e vão a concertos. Para o bem e para o mal, é (apenas) isto que duas pessoas fazem hoje em dia, segundo a visão do realizador. Estão juntas para passar tempo. Que boémio e hedonista!

Só mesmo pessoas muito iluminadas é que podem ver uma efectiva conexão entre o sexo e a música. Os concertos, tal como as canções são escolhidos sem qualquer critério. Por vezes parece que estão ali só porque seria demasiado escandaloso ter um filme só com personagens a foderem e a drogarem-se. Sabem que mais, as cenas de sexo não me divertem!

Não existe um único momento que salve este filme do ridículo. Expliquem-me o porquê do suposto momento chave, o de quando eles se conhecem, não aparecer no filme. Seria neste momento em que poderia residir alguma explicação para um relacionamento em que não existe nenhuma conexão entre as personagens, nada, tornando-a rápidamente insuportável. Nem mesmo o sexo, pois aparentemente a personagem feminina tem “necessidades” especiais e o rapaz não é capaz de a satisfazer. Para quê a cena de humilhação do macho com o vibrador?

Nada parece acontecer por um motivo, nem mesmo quando as personagens discutem devido aos medicamentos de Sally. Matt põe-lhe na cara que os comprimidos lhe estão a alterar o comportamento. Sim, porque aquilo que as personagens snifam intensivamente não lhe provoca qualquer alteração... Tomar comprimidos é errado, snifar coca é cool. Pergunto-me qual o sentido deste momento (pouco) cinematográfico.

O cúmulo do ridículo é mesmo o paralelo feito com a Antártida. Justifica-se se pensarmos que a relação entre eles é tão insípida e árida como esse continente ainda misterioso. Matt quer no fundo transmitir a sua se sente ali tão exposto àquele ambiente agressivo como quando está na intimidade com uma mulher, chega mesmo a falar de claustrofobia. Nada disto tem a ver com intimidade, muito menos com amor.

Fica provado que Michael Winterbottom não tem arte nem engenho para filmar relações entre pessoas, vejam “Code 46” e confirmem, ou não... Se for pela da música, aconselho antes o “24 Hour Party People”, sempre é mais informativo. Se for por causa de relações, “Intimidade” de Patrice Chéreau será bem mais interessante. Se for por causa do sexo, bom acho que todos sabem onde procurar….

E sabem que mais, as cenas de sexo deste filme não me divertem!