A Religião do Ridículo

Antes da cerimónia dos Oscars deste ano, Bill Maher brincava no seu programa (“Real Time”, HBO) que ia apresentar o Oscar na categoria que deveria ter ganho (melhor documentário). Quem sabe talvez não estivesse assim tão longe de merecer tal prémio.
Nos últimos anos têm surgido documentários válidos que confrontam a fé católica nos seus fundamentos (“Constantine’s Sword”, “Zeitgeist” 1ª parte), na sua duvidosa influência na sociedade (“Friends of God” – Alexandra Polosi, “Jesus Camp” nomeação oscar 2006, “What would Jesus Buy”) ou a falta de coragem para enfrentar os seus erros mais cruciais (“Deliver Us From Evil” Oscar 2006, “Twist of Faith” nomeação oscar 2006).
Bill Maher abre o espectro e viaja por quase todo o mundo para questionar os dogmas fundamentais de várias religiões, especialmente aquelas que estão mais presentes na cultura americana de hoje (Islão, Cristã, Mórmon, Judaica, Cientologia). Desde o judeu ortodoxo que considera o holocausto uma bênção de deus ao televangelista que diz acreditar ser a reencarnação de Cristo, temos um panorama completo do conflito entre fé e realidade nos dias de hoje.
É um filme que apresenta o tema da dúvida no tom certo, sempre com a dose adequada de sarcasmo (mas nunca com leviandade), porque afinal, nem tudo o que é considerado sagrado é sério. No fundo, Bill Maher tenta fazer o balanço entre a necessidade do conforto da fé versus o preço que há que pagar por esse luxo (quase todas as guerras da história, bombistas suicidas, opressão de mulheres e minorias, pedofilia, as últimas declarações do papa em África este mês...)
Num país em que os evangelistas se apresentam como uma corporação que consegue por vezes influenciar eleições e tinha reuniões semanais com o antigo presidente Bush, é bastante corajoso enfrentar desta maneira toda esta insanidade.
Parece que sobraram inúmeras horas de entrevistas que foram deixadas de fora do filme e hareria a possibilidade de resultar numa mini-série para a HBO. Para quem estiver interessado em fazer “bibliografia” recomendo “End of Faith” de Sam Harris ou “God Delusion” de Richard Dawkins.
Etiquetas: Bill Maher, Religulous

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